sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A Primeira Transformação

Jennifer ouviu o barulho de uma fogueira. Abriu os olhos e viu um senhor vestido como um velho índio. Ele estava próximo à fogueira, mexendo um grande caldeirão e, ao seu lado, estava um lobo de pelo negro com algumas marcas brancas na pata direita. Havia um gosto ruim em sua boca, um gostoso parecido com o de sangue, viu seu cabelo com mexas grudadas, duro e com cheiro pútrido. Cuspiu e viu o velho caminhando em sua direção.
- Boa noite, criança! – disse o velho trazendo uma pequena vasilha de pedra com um caldo, oferecendo-a.
- Onde estou? – perguntou desconfiada, enquanto reparava que estava envolvida em um sobretudo e era sua única roupa – Eu me lembro de ter saído de uma festa, havia um homem me seguindo e não me lembro de mais nada.
- Coma – disse o velho – você dormiu por três dias inteiros, precisa reestabelecer suas forças. Vou fazer um chá para você e então entenderá tudo o que aconteceu. Eu ainda não disse meu nome. Eu sou Brisa Estelar e esse é Névoa Sombria.
- Diga! Como eu vim parar aqui? Lembro-me de ter sido seguida e fui atacada. Eu morri e esse é o lugar em que deveria vir?
- Você não morreu – disse uma voz diretamente dentro de sua cabeça. – Eu salvei você antes que chegassem pessoas e a vissem nua e desmaiada.
Jeniffer olha para o lado, enquanto Névoa Sombria caminha em sua direção. O lobo olha fixamente e então deita ao seu lado.
- Não se espante você verá toda a verdade. – Brisa Estelar chega com o chá. – Beba e encoste-se em Névoa Sombria, você vai conseguir ver através das memórias dele e saberá o que aconteceu.
Jeniffer bebeu o líquido. O gosto amargo desceu queimando sua garganta e logo ela caiu sonolenta com sua mão sobre a cabeça do lobo e voltou ao dia do ataque.
13/02/2003 quinta-feira às 3:45, Lua Crescente.
Jeniffer se viu saindo da casa de sua amiga Lorena. Estava de coturno, uma saia xadrez e uma camiseta do Metallica. Seu cabelo loiro solto com leves cachos. Começou a caminhar, estava indo embora.
Enquanto caminhava, Jeniffer notou que alguém a seguia. Olhou para trás e viu um homem mais velho, cerca de 40 anos, mal vestido com uma longa barba cinza. Chegando a uma rua próxima, ao olhar não viu mais seu seguidor. Respirou aliviada, mas quando olhou para frente, o viu. Tentou gritar, mas teve sua boca segura. O homem a olhava e a ameaçava com uma faca.
- Se você tentar gritar, eu te mato.
Ele começou a puxá-la para dentro de um beco acariciando seu corpo. Gargalhando como uma hiena faminta que acabara de encontrar uma carcaça. Ele sussurrou em seu ouvido.
- Você será minha – ele disse enquanto colocava a mão entre as pernas dela.
Jeniffer não tinha forças para resistir, seus olhos lacrimejavam. Naquele momento se sentia indefesa e sem forças para reagir. Olhou para o céu e viu a Lua em sua fase crescente e perdeu a consciência.
Sobre o efeito da bebida, ela conseguiu então ver o que sua alma conseguiu, mas não se lembrava. Viu sua mão batendo no peito de seu agressor, garras e pelos surgiam e ela o lançou para fora do beco. O homem conseguiu fazer uma manobra de forma sobrenatural e não se feriu ao ser arremessado, caindo de pé.
Jeniffer começou a notar sua transformação. Sentia muita dor, mas notava seu corpo crescendo e enchendo-se de pelos. Suas mãos cresciam e suas unhas tornavam-se garras. Seu corpo de 1,5m começava a crescer, atingindo cerca de 2,3m. Seu rosto deformava, seus dentes cresciam. Seu cabelo loiro dava lugar a uma pelugem branca, quase prateada. Sua roupa se rasgava, seus olhos enxergavam além do que podia antes e seus sentidos tornaram-se mais aguçados. Então, após um uivo ensurdecedor, ela salta por mais de 15m e nota que sua força também era sobrenatural. Ao tentar atingir o seu adversário, ele desvia e ela atinge o chão abrindo um grande buraco.
Ao olhar para o lado, ela nota o homem com uma barra de ferro, olhos avermelhados e caninos enormes. Ele sorri para ela.
- Meu dia de sorte! Achei um cãozinho branco inexperiente. Devo acabar com você antes que seja capaz de matar vários de nós.
Ele pega uma barra de ferro que estava próxima e a atinge no braço, mas sem eficiência. Em uma manobra, salta por cima dela, caindo perto da tampa de um bueiro, ele a pega e a lança com tanta força atingindo a barriga de Jeniffer e a jogando longe, cerca de 50m. Ela se ergue e rosnando, vê que o homem tira uma adaga de sua bota e, movendo-se com uma velocidade extrema, vai em direção a ela. Jeniffer começa a correr em direção ao seu agressor, mas nota que um homem de sobretudo, cabelo curto e barba feita aparece.
Ele segura o ataque dela jogando-a para o lado , em um movimento rápido, atinge o vampiro quebrando seu braço e fazendo a adaga cair. Em um movimento rápido, ele segura a cabeça do vampiro e a esmaga de encontro ao chão, quebrando seu crânio e com uma luz azulada, faz com que o ser transforme-se em pó.
Jeniffer, ainda tomada pelo frenesi, ergue um carro e o lança contra o homem que acabara de ajuda-la. Ele o segura com uma única mão, sem se mover do lugar.
Ela salta na direção do homem e quando tenta acertá-lo nota que só via o sobretudo e ele estava atrás dela. Ele tinha uma longa espada nas costas, mas não a sacou. Jeniffer partiu para cima dele que não se desviou e deu seu braço para que ela o mordesse e tamanha foi a força que ele foi arrancado. Uma poça de sangue formou-se ao seu redor e o sangue escorria por sua boca e descia por sua garganta.
- Você precisa se acalmar garota, fez muito barulho e um grande estrago.
Jeniffer nota que seu tamanho vai diminuindo e seu corpo vai voltando a forma original. Enquanto isso, ela vê uma mulher se aproximando e nota que o braço do homem em sua frente começa a regenerar, como se nada tivesse acontecido.
- Névoa Sombria, leve-a até o Brisa Estelar. – ele diz entregando-a o seu sobretudo – cubra-a com isso. Preciso dar um jeito no estrago que ela causou.
- Você não é um de nós. Por qual motivo sempre nos ajuda? – ela perguntou.
- Vocês são poucos e, acredito eu, algum dia serão capazes de controlar completamente a fúria. Além disso, Brisa Estelar me disse um dia que uma jovem prateada viria para lidera-los no fim dos dias.
Jeniffer acorda e nota que Brisa Estelar e Névoa Sombria estão próximos, ela os vê e sente que está maior.
- Acalme-se – diz Névoa Sombria, saindo de sua forma de lobo e transformando-se em uma mulher. – Você é uma de nós.
Jeniffer se acalma e começa a voltar a forma humana e nota outros chegando.
- Somos poucos, mas vamos resistir e, se a profecia estiver correta, você nos guiará a uma grande vitória no futuro, mas primeiro preciso lhe ensinar como controlar a transformação.
- Achei que os lobisomens só se transformassem na Lua Cheia – ela perguntou.
- Logo você saberá tudo corretamente, por enquanto descanse.
Jeniffer não entendia muito bem o que estava acontecendo, sentiu-se uma aberração. Sentou-se, foi coberta e começou a descansar. Queria saber tudo sobre o acontecido e não parava de se perguntar, quem era o homem que havia salvado sua vida mesmo não sendo um deles. Sua cabeça estava confusa, tinha muitas perguntas e nenhuma resposta, ao notar, mais uma vez o brilho da lua, adormeceu e percebeu que acordava para um admirável novo mundo.
FIM.
Baseado em jogos de RPG “Lobisomem, o apocalipse”, “Vampiro, a mascara” e “Anjo, a salvação”.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O mundo real

Gabriel acabara de acordar. Olhou para os lados, notou que estava em um quarto de hospital. A cabeça doía um pouco e então começou a lembrar do acontecido na noite anterior:
21/12/2005, Terça feira, 20:59
Gabriel estava em seu escritório. Como de costume, trabalhou até um pouco mais tarde, não conseguia concluir a investigação sobre o caso de Samanta Buarque. Dois meses tinham se passado desde que seu corpo tinha sido encontrado sem uma gota de sangue e ele melhor que ninguém, sabia que não se tratava de anemia, como o perito havia dito.
Levantou-se, foi buscar um café. Enquanto isso ouviu o som de uma mensagem vinda do seu computador. Sentou-se novamente. Uma tela azul estava aberta e ele não conseguia fechá-la. Um texto então começou a surgir:
‘Boa noite, meu caro amigo Gabriel Schneider. Não se espante, mas essa janela não pode ser fechada.
Não tente desligar por meio de força bruta também, venho dizer sobre um assunto que é de seu interesse.’
Gabriel olha atentamente e então começa a conversar com o estranho.
‘Você sabe meu nome, sabe quem eu sou. Comece a falar logo antes que entre em sérios problemas meu rapaz.’
Após digitar a mensagem, ligou um computador próximo para tentar rastrear de onde vinha essa invasão. E, em seguida, voltou-se para a tela.
‘Você não vai conseguir me rastrear, se olhar agora vai notar que o ponto dado é de dentro do seu escritório. Sou extremamente habilidoso na área da informática. Você é inteligente, certamente formaríamos uma ótima dupla. Mas não é sobre isso que eu quero falar.’
‘Então sobre o que é?’ – Gabriel ficara impaciente.
‘Vou resumir, sobre o caso Samanta. Você sabe que aquilo foi estranho e até hoje procura respostas. Venha sozinho, estou no café que você vai todas as manhãs. Se não vier sozinho, não vai me encontrar. Tenho meios de saber se planeja algo.’
A tela fechou sozinha. No outro computador, o endereço dado era exatamente o do escritório. Levantou-se. Pegou um casaco e sua arma e saindo. Viu que Sara Lens, sua vice-capitã do grupo de inteligência ainda trabalhava.
- Capitão Schneider, ainda trabalhando?
- Fiquei até tarde agora, sairei para resolver umas coisas. Tenha uma boa noite e não fique até tarde.
Sara somente acenou com a cabeça e deu-lhe um boa noite.
Gabriel pegou o carro e saiu para encontrar-se com o desconhecido. Algum minuto após sair olhou pelo retrovisor do carro, viu uma mulher bela entrando em um beco escuro e logo em seguida ouviu um grito.
A rua estava vazia, desceu do carro e foi até o beco. Estava escuro, e ele não tinha uma lanterna. Caminhou e viu um sapato feminino. Atrás da lata de lixo, viu o corpo dela, ainda fresco.
‘O que diabos aconteceu e tão rápido?’ – Ele pensou ao ver o corpo, não via marcas de sangue e a vitima não parecia ter sido estrangulada.
- Você poderia ter ignorado e ido embora. Agora vai pagar com a vida.
Gabriel ouvia uma voz rouca e rapidamente virou-se olhando para trás. Um homem alto, envolto em trapos. Seu rosto parecia ter sido queimado, mas sabia ele não era isso.
- Dê mais um passo e eu atiro. – Disse Gabriel apontando-lhe a arma.
O homem arrisca e então caminha. Gabriel dispara. Ele continua de pé. Gabriel não compreende o que está acontecendo e descarrega a arma. A mesma coisa acontece e ele caminha em sua direção rindo.
- Armas não podem me ferir.
Tomado pelo pânico, Gabriel começa a correr adentrando o beco, mas o homem move-se com uma velocidade sobre-humana e passa-lhe a frente.
Gabriel olha ainda mais assustado, vira-se impulsivamente e tenta correr em direção a rua, mas é agarrado. Sente a mão fria tapar-lhe a boca. E o rosto gelado do ser encostando-se ao seu.
- Sangue fresco. – Murmurou bem baixo, sem importar se alguém escutara os disparos.
Gabriel olhava para frente, tomado pelo terror quando viu uma luz, não conseguia ver direito, mas parecia ter forma de uma mulher. Sentiu que o homem tinha medo e então começava a soltá-lo, mas algo fez com que ele desmaia-se.
Lembrou-se do acontecido. Olhando em direção a janela, ouviu alguém abrindo a porta. Olhou e viu Sara.
- O senhor parece melhor. Teve uma febre forte.
- Onde me acharam? – Ele perguntou.
- Eu trouxe o senhor, desmaiou no escritório ontem à noite.
Ele olhou desconfiado, parecia tão real. Não acreditava que fosse sonho.
- Eu preciso ir ao escritório, deixe que adiantarei seu trabalho hoje.
Ela saiu. Gabriel perdido em seus pensamentos olhou para o lado e viu um cartão junto ao café da manhã. Pegou-o e abriu.
“Não importa o que digam. Você não sonhou, foi real. Não veio me encontrar então fui até você. Achei-o caído em um beco. Aquele ser era um vampiro. Junte-se a nós e vamos proteger os humanos.
Atenciosamente,
Cristian Pellegrini, líder dos Caçadores Silenciosos.”
Em um caminho sem volta. Gabriel acabava de despertar pra o mundo real.
FIM