Gabriel acabara de acordar. Olhou para os lados, notou que estava em um quarto de hospital. A cabeça doía um pouco e então começou a lembrar do acontecido na noite anterior:
21/12/2005, Terça feira, 20:59
Gabriel estava em seu escritório. Como de costume, trabalhou até um pouco mais tarde, não conseguia concluir a investigação sobre o caso de Samanta Buarque. Dois meses tinham se passado desde que seu corpo tinha sido encontrado sem uma gota de sangue e ele melhor que ninguém, sabia que não se tratava de anemia, como o perito havia dito.
Levantou-se, foi buscar um café. Enquanto isso ouviu o som de uma mensagem vinda do seu computador. Sentou-se novamente. Uma tela azul estava aberta e ele não conseguia fechá-la. Um texto então começou a surgir:
‘Boa noite, meu caro amigo Gabriel Schneider. Não se espante, mas essa janela não pode ser fechada.
Não tente desligar por meio de força bruta também, venho dizer sobre um assunto que é de seu interesse.’
Gabriel olha atentamente e então começa a conversar com o estranho.
‘Você sabe meu nome, sabe quem eu sou. Comece a falar logo antes que entre em sérios problemas meu rapaz.’
Após digitar a mensagem, ligou um computador próximo para tentar rastrear de onde vinha essa invasão. E, em seguida, voltou-se para a tela.
‘Você não vai conseguir me rastrear, se olhar agora vai notar que o ponto dado é de dentro do seu escritório. Sou extremamente habilidoso na área da informática. Você é inteligente, certamente formaríamos uma ótima dupla. Mas não é sobre isso que eu quero falar.’
‘Então sobre o que é?’ – Gabriel ficara impaciente.
‘Vou resumir, sobre o caso Samanta. Você sabe que aquilo foi estranho e até hoje procura respostas. Venha sozinho, estou no café que você vai todas as manhãs. Se não vier sozinho, não vai me encontrar. Tenho meios de saber se planeja algo.’
A tela fechou sozinha. No outro computador, o endereço dado era exatamente o do escritório. Levantou-se. Pegou um casaco e sua arma e saindo. Viu que Sara Lens, sua vice-capitã do grupo de inteligência ainda trabalhava.
- Capitão Schneider, ainda trabalhando?
- Fiquei até tarde agora, sairei para resolver umas coisas. Tenha uma boa noite e não fique até tarde.
Sara somente acenou com a cabeça e deu-lhe um boa noite.
Gabriel pegou o carro e saiu para encontrar-se com o desconhecido. Algum minuto após sair olhou pelo retrovisor do carro, viu uma mulher bela entrando em um beco escuro e logo em seguida ouviu um grito.
A rua estava vazia, desceu do carro e foi até o beco. Estava escuro, e ele não tinha uma lanterna. Caminhou e viu um sapato feminino. Atrás da lata de lixo, viu o corpo dela, ainda fresco.
‘O que diabos aconteceu e tão rápido?’ – Ele pensou ao ver o corpo, não via marcas de sangue e a vitima não parecia ter sido estrangulada.
- Você poderia ter ignorado e ido embora. Agora vai pagar com a vida.
Gabriel ouvia uma voz rouca e rapidamente virou-se olhando para trás. Um homem alto, envolto em trapos. Seu rosto parecia ter sido queimado, mas sabia ele não era isso.
- Dê mais um passo e eu atiro. – Disse Gabriel apontando-lhe a arma.
O homem arrisca e então caminha. Gabriel dispara. Ele continua de pé. Gabriel não compreende o que está acontecendo e descarrega a arma. A mesma coisa acontece e ele caminha em sua direção rindo.
- Armas não podem me ferir.
Tomado pelo pânico, Gabriel começa a correr adentrando o beco, mas o homem move-se com uma velocidade sobre-humana e passa-lhe a frente.
Gabriel olha ainda mais assustado, vira-se impulsivamente e tenta correr em direção a rua, mas é agarrado. Sente a mão fria tapar-lhe a boca. E o rosto gelado do ser encostando-se ao seu.
- Sangue fresco. – Murmurou bem baixo, sem importar se alguém escutara os disparos.
Gabriel olhava para frente, tomado pelo terror quando viu uma luz, não conseguia ver direito, mas parecia ter forma de uma mulher. Sentiu que o homem tinha medo e então começava a soltá-lo, mas algo fez com que ele desmaia-se.
Lembrou-se do acontecido. Olhando em direção a janela, ouviu alguém abrindo a porta. Olhou e viu Sara.
- O senhor parece melhor. Teve uma febre forte.
- Onde me acharam? – Ele perguntou.
- Eu trouxe o senhor, desmaiou no escritório ontem à noite.
Ele olhou desconfiado, parecia tão real. Não acreditava que fosse sonho.
- Eu preciso ir ao escritório, deixe que adiantarei seu trabalho hoje.
Ela saiu. Gabriel perdido em seus pensamentos olhou para o lado e viu um cartão junto ao café da manhã. Pegou-o e abriu.
“Não importa o que digam. Você não sonhou, foi real. Não veio me encontrar então fui até você. Achei-o caído em um beco. Aquele ser era um vampiro. Junte-se a nós e vamos proteger os humanos.
Atenciosamente,
Cristian Pellegrini, líder dos Caçadores Silenciosos.”
Em um caminho sem volta. Gabriel acabava de despertar pra o mundo real.
FIM
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